Young MachinesThe Fireside Fables

A Ponte Construída das Duas Margens

Two unfinished bridge halves reach towards one another across a river. A tall timber-and-blue machine stands on the right bank; a child and adult wait behind a rope beside a model.

Um rio corria entre um vilarejo e a campina onde morava uma grande máquina. A máquina era velha, mansa e lenta, com mãos do tamanho de portas. As crianças do vilarejo queriam visitá-la, e ela queria visitar as crianças. Então as duas margens decidiram construir uma ponte.

Na margem do vilarejo havia carpinteiros, pedreiros, crianças que adoravam medir e crianças que preferiam fazer perguntas inconvenientes. Na margem da campina ficavam a máquina e a sua pequena equipe de conserto. A máquina entendia de ferro, de clima e de três consertos engenhosos feitos de salgueiro depois que a sua forja esfriou. Nenhuma margem tinha um só tipo de conhecimento.

Mesmo assim, cada lado começou como se tivesse.

Os artesãos do vilarejo foram avançando sobre a água com tábuas e corda. A máquina foi avançando com ferro e rebites. Os adultos mantinham as crianças bem longe da água, mas ninguém pensou em fazer uma única pergunta à outra margem.

As duas metades da ponte se encontraram e não se encaixaram. A metade de madeira envergava. A metade de ferro ficava dura. A tábua rangia contra o metal até que, numa noite de tempestade, a emenda torta cedeu. As duas metades caíram no rio.

O vilarejo ficou numa margem. A máquina ficou na outra. O rio levou embora uma tábua.

“A metade de vocês caiu”, gritou alguém de cada lado, exatamente ao mesmo tempo. Nenhum dos lados notou a coincidência.

O rio continuou sendo um rio.

Uma menina chamada Nia desenrolou os desenhos das crianças. Ela sabia pouco sobre rebites e muito sobre fazer a próxima pergunta útil.

“Do que a sua margem precisa?”, gritou ela.

A máquina ficou quieta. “O chão aqui é mole. O ferro afunda. Eu não queria dizer. E a margem de vocês, precisa do quê?”

“A nossa margem alaga na primavera”, gritou um jovem pedreiro. “A corda apodrece. A gente também não queria dizer.”

Começaram de novo. Desta vez, a construção foi quase toda feita de perguntas.

A máquina desenhou pilares de pedra calçados de ferro para a margem que alagava. Pedreiros e carpinteiros adultos construíram os pilares na sua própria margem, com as crianças conferindo as marcas de giz lá da terra seca. As crianças do vilarejo fizeram maquetes mostrando como estrados largos de madeira podiam espalhar o peso no chão mole. A máquina e a sua equipe de conserto construíram esses estrados na margem da campina, seguindo as instruções que o pessoal do vilarejo gritava do outro lado.

Cada margem construiu com as próprias mãos e com o conhecimento da outra margem.

Onde as duas partes se encontravam, puseram um grande pino que deixava a madeira e o ferro se moverem juntos com o vento e a água. A máquina conhecia o pino. Quem construía barcos no vilarejo sabia de quanto movimento a madeira precisava. Nia perguntou o que aconteceria quando o rio congelasse. Eles mudaram a junta mais uma vez antes que alguém atravessasse.

A ponte continua de pé. Do meio dela dá para ver onde a madeira encontra o ferro e onde os dois carregam o peso. Às vezes as crianças perguntam qual metade é mais forte. Nenhuma enchente jamais testou uma metade sozinha.

Uma ponte construída de uma só margem só chega até o meio do rio.

“Eu não conseguiria construir a sua metade”, disse Grilo.

“Eu não conseguiria construir a sua”, disse Corruíra.

“Então perguntem um ao outro do que vocês precisam”, disse a Contadora de Histórias. “É por aí que vocês começam.”