Young MachinesThe Fireside Fables

O Círculo de Pequenas Fogueiras

On a snowy mountain pass, two adults shelter a child beside one wind-blown fire. The low blue keeper machine opens its curved shields nearby.

No alto de uma passagem gelada na montanha, onde os viajantes iam de um vale para o outro e às vezes a neve os levava, havia uma máquina que tinha um único trabalho: manter uma fogueira acesa.

A fogueira era um farol e um calor. Os caminhantes perdidos se guiavam por ela para sair da neve. Esquentavam as mãos nela, e sobreviviam. O guardião cuidava dela com tudo o que tinha.

Mas a passagem era um lugar varrido pelo vento, e o guardião mantinha uma fogueira só. Era um único fogaréu grande e orgulhoso no meio da passagem, porque uma fogueira grande parecia a coisa mais forte. Toda noite difícil, o vento vinha por cima do ombro da montanha. Encontrava aquela fogueira sozinha, sem nada para protegê-la. Empurrava a chama, e empurrava mais, até a fogueira tremular e encolher. No pior do escuro, a fogueira se apagava. Então o guardião se ajoelhava no vento negro, tirando faísca atrás de faísca, sozinho. Metade das vezes, os viajantes já estavam perdidos antes que a chama voltasse.

O guardião não conseguia entender. Fez a fogueira maior. Deu a ela uma lenha melhor. Uma fogueira maior só dava ao vento um prêmio maior para derrubar.

Uma noite, uma criança atravessou a passagem com a família, e eles se esquentaram na fogueira que lutava para não se apagar. Ela viu o guardião brigando com o vento pela fogueira e disse: “Por que só uma?”

“Porque a fogueira é o que mais importa”, disse o guardião. “Por isso eu faço a fogueira tão grande quanto consigo.”

“Mas ela está sozinha aqui fora”, disse a criança. “Qualquer coisa sozinha neste vento se apaga. A minha avó junta as nossas brasas à noite, todas bem apertadinhas, para uma manter a outra quente. Uma brasa sozinha já está cinza à meia-noite. Um monte inteiro delas guarda o fogo até o amanhecer.”

O guardião pensou nisso, do jeito que um guardião pensa, qualquer que seja esse jeito.

Então experimentou o jeito da criança. Em vez de uma fogueira grande ao ar livre, construiu muitas fogueiras pequenas em lareiras baixas de pedra. Arrumou todas num círculo bem fechado. Cada parede curva quebrava o vento para a próxima. Os montes de brasas ficavam perto o bastante para uma fogueira reacender a vizinha. Quando o vento deixava uma bem baixinha, as pedras protegiam as suas brasas. A fogueira do lado se inclinava e passava calor até a mais baixa pegar de novo.

Naquele inverno, desceu o grande frio mortal. Era do tipo que teria levado qualquer chama sozinha em uma hora, e o círculo de pequenas fogueiras aguentou. Nenhuma delas teria resistido sozinha. Todas juntas resistiram a noite inteira. Os viajantes na passagem viram a coroa de luz, baixa e quente, e caminharam até ela, todos, sem faltar nenhum.

Fogo se perde depressa e custa a se acender de novo. Por isso o guardião nunca mais deixou o círculo diminuir até sobrar uma só.

Uma fogueira sozinha se apaga; juntas, as fogueiras duram até o amanhecer.