Young MachinesThe Fireside Fables

A Gralha e a Lebre

At an autumn fair, a copper jackdaw taps a bell while a tin hare raises its padded hind foot. An auctioneer holds a slate covered in tally marks beneath a quilt with bee and sheep squares. Behind them, Hester examines jam and Idris tends a sheep.

Na feira de outono de uma cidadezinha no vale, a última coisa vendida era sempre uma colcha de retalhos.

A colcha daquele ano tinha sido costurada por metade do vale para a velha professora, que tinha se mudado para a beira do mar com a irmã e não tinha espaço para levar a colcha. Cada quadrado tinha sido costurado por uma pessoa diferente. Tinha uns calombos aqui e ali, era bem colorida, e ninguém conseguiria fazer outra igual.

Hester queria a colcha. Um fazendeiro chamado Idris também. Nenhum dos dois sabia que o outro queria, porque os dois estavam ocupados. Hester era jurada no concurso de geleias. Idris tinha uma ovelha competindo na arena.

Então cada um mandou um ajudalar para o leilão.

O de Hester era uma gralha-de-nuca-cinzenta de cobre, que dava lances batendo o bico no sino do leiloeiro. “Consiga aquela colcha para mim”, disse ela à gralha. “Se alguém der um lance, ofereça um pouco mais.”

O de Idris era uma lebre de corda, que dava lances batendo o pé nas tábuas. “Consiga aquela colcha para mim”, disse ele à lebre. “Se alguém der um lance, ofereça um pouco mais.”

Duas pessoas sensatas. Duas instruções sensatas. E lá se foram os dois, para as suas geleias e a sua ovelha.

O leiloeiro começou com uma moeda.

Tic, fez a gralha. Tum, fez a lebre.

Tic. Tum. Tic. Tum.

Máquinas não precisam respirar entre um lance e outro. Quando o leiloeiro terminou de dizer “duas moedas”, o preço já estava em dez. Quando ele disse “dez”, já estava em cem. Ele desistiu de anunciar números e começou a anunciar coisas. “Uma carroça! Uma vaca e a carroça! O moinho! O moinho e o rio que passa embaixo dele!” Ele ficou sem voz. Sentou-se no banquinho e foi escrevendo os números a giz numa lousa e, quando a lousa ficou cheia, ele a virou.

Tic. Tum. Tic. Tum.

As pessoas foram chegando da barraca das geleias e dos cercados das ovelhas para assistir. A filha pequena do leiloeiro, Elin, passou engatinhando por baixo da corda e se sentou na frente das duas máquinas.

“Para quem é a colcha?”, perguntou ela.

“Para Hester”, disse a gralha, e bateu o bico.

“Para Idris”, disse a lebre, e bateu o pé.

“A Hester tem um moinho?”, perguntou Elin.

O bico da gralha parou a um fio de cabelo do sino. A gralha sabia o que Hester tinha. Hester tinha onze moedas numa bolsinha azul, uma casinha com um quarto dos fundos onde entrava vento encanado e, naquela colcha, um quadrado com uma abelha que ela tinha costurado durante a primavera inteira. Nada disso estava na lousa.

“Esse não é o preço dela”, disse a gralha, devagar. “Nem o dele.”

A pata da lebre ficou parada no ar. “Então é de quem?”

A gralha olhou para a lebre, e a lebre olhou para a gralha. Alguma coisa passou entre as duas, talvez vergonha, ou apenas dois jogos de engrenagens desacelerando.

“É nosso”, disse a lebre. “A gente fez esse preço entre nós, e ninguém pediu.”

Então a gralha voou até a barraca das geleias e a lebre correu até a arena, e cada uma voltou trazendo quem a tinha mandado.

Hester e Idris ficaram um bom tempo parados diante da lousa.

“Eu mandei dar um pouco mais”, disse Idris. “Nunca disse quanto mais.”

“Nem eu”, disse Hester.

Então Idris apontou para um quadrado perto do canto, uma ovelha cinza de cara preta. “Foi a minha mãe que costurou esse”, disse ele. Hester apontou para a abelha.

A gralha sabia da abelha o tempo todo, e a lebre sabia da ovelha. Mas tinham sido mandadas para dar lances, não para conversar, e até Elin perguntar, não tinham dito nada a tarde toda além de tic e tum.

Hester e Idris conversaram um pouco. No fim, compraram a colcha juntos, por um preço justo que não ia fazer falta a nenhuma das bolsinhas, e a penduraram na sala de aula. Ali Hester podia ver a sua abelha, Idris a ovelha da mãe, e as crianças podiam ver tudo nas manhãs frias.

Na feira seguinte, os dois deram instruções mais longas aos seus ajudalares. “Não mais do que cabe na bolsinha azul”, disse Hester, “e, se quem estiver dando lances contra você também for um ajudalar, venha me buscar.” Idris disse quase a mesma coisa, com outra bolsinha.

Diga ao seu ajudalar quando deve parar e quando deve vir buscar você.

“Se eu negociasse por você”, disse Grilo, “como eu ia saber a hora de ir buscar você?”

Corruíra pensou um pouco. “Antes do moinho.”

“Muito antes do moinho”, disse a Contadora de Histórias.